Por que o governo decidiu manter o subsídio?

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou o adiamento da decisão sobre o fim do subsídio de R$ 0,44 por litro de gasolina após a retomada dos ataques militares entre Estados Unidos e Irã. O preço do barril de petróleo Brent voltou a se aproximar da marca de US$ 80, refletindo as preocupações do mercado com possíveis interrupções no fornecimento global.

"Ontem, o preço do barril do petróleo voltou a subir para US$ 80, então temos que ter cautela para retirar o subsídio", afirmou Durigan. "Vou analisar a retirada na próxima semana e, dependendo da situação, eu gostaria de retirar o subsídio da gasolina, parcial ou totalmente."

Impacto das tensões no Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, voltou a ser foco de tensão após a deterioração do ambiente geopolítico no Oriente Médio. O governo brasileiro decidiu manter a alíquota de 12% do Imposto de Exportação sobre petróleo bruto por mais 60 dias para preservar o abastecimento interno.

A medida, que será reavaliada após 30 dias, busca garantir matéria-prima para o parque de refino nacional e proteger o mercado interno de possível desabastecimento de combustíveis, em meio às incertezas internacionais.

O que esperar para os preços dos combustíveis?

O ministro afirmou que o cenário de incerteza não afeta os planos federais de aumentar as misturas de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel. A Lei do Combustível do Futuro estabelece que a proporção de etanol pode variar entre 27% e 35%, e o biodiesel deve chegar a 20% até 2030.

Economistas avaliam que a manutenção do subsídio evita o repasse imediato da alta internacional para o consumidor, mas gera pressão fiscal. A decisão final sobre a retirada total ou parcial do benefício dependerá da evolução do cenário geopolítico nas próximas semanas.


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